Blockchain e o Santo Graal da Economia da Web

Por Tatiana Revoredo | CSO @ The Global Strategy

O por quê precisamos de uma identidade digital auto-soberana

Confiar em documentos de identidade “física e abordagens convencionais” em uma era digital não é apenas complicado e tedioso, mas também dispendioso.

Quanto mais tempo on line passamos, cyber criminosos estão descobrindo novas maneiras de acessar nossos dados financeiros e informações confidenciais. Isso sem falar nos roubos de identidade.

Precisamos urgentemente de uma identidade digital, mas de uma identidade digital “decentralizada”.

Todos os dias navegamos na internet e não sabemos se quem está do outro lado do computador é um ser humano. Isso mesmo. Quem disse que somente interagimos na internet com outras pessoas? Uma nova previsão da International Data Corporation (IDC) estima que haverá 41,6 bilhões de dispositivos conectados à rede mundial de computadores até 2025.

Outro dia, ao comunicar um sinistro ao meu seguro, foi informada de que um Chatbot me faria as perguntas sobre o sinistro via WhatsApp.

Para quem não sabe, Chatbot é um programa de computador que faz o que é programado, simulando uma conversa humana em um chat. Deste modo, tais “artefatos tecnológicos” também precisam ter uma identidade digital na internet. Mas isto é tema pra outro artigo.

Atualmente, nossa identidade e todas as nossas interações digitais pertencem e são controladas de maneira centralizada, geralmente por órgãos governamentais, terceiros validadores de confiança que verificam e cuidam de nossas credenciais de identificação.

Neste cenário, qual a vantagem de utilizar blockchain para gerenciamento de identidade digital?

Primeiro, porque sua estrutura “descentralizadas” não possui um “Single Point of Failure” (ponto único de falha), o que contribui para proteger nossas informações contra ladrões de identidade e cyber criminosos.

Segundo, porque evita a necessidade de se confiar em uma autoridade central, o que possui um destaque enorme na atual crise de confiança enfrentada por governos do mundo todo.

Outro ponto interessante diz respeito à simplificação da verificação de identidade, devolvendo-a ao seu real titular: os cidadãos. Ao invés de confiar que terceiros validem nossas credenciais a outros sites, poderíamos nós mesmos adquiri-las e controlá-las.

Esse conceito, conhecido por identidade auto-soberana (SSI –Self Sovereign Identity), é tido como o Santo Graal na Economia da Web, de modo que desenvolvedores vêm perseguindo isso há anos devido à enorme redução de custos que isto trará às transações comerciais na Internet.

Mas além da drástica redução dos gastos com compliance, sob a ótica social é importante destacar que mais de um bilhão de pessoas no mundo não possuem nenhum tipo de identidade, o que impede acesso a serviços financeiros como contas bancárias e empréstimos.

Ademais, imagine que você se mudar para um novo país e por conta disso precisar se registrar para todos os tipos de serviços: votação, carteira de motorista, serviços bancários, eletricidade e entretenimento. Você terá de se registrar individualmente em cada provedor de serviços e provar sua identidade para abrir uma conta. E toda vez que você quiser acessar essa conta, precisará provar sua identidade novamente, seja por senha ou por outras credenciais.

Ora, uma identidade descentralizada simplifica radicalmente esse processo. E soluções blockchain podem permitir o armazenamento e a verificação da prova de identificadores de identidade (e seus atributos de perfil) de uma maneira descentralizada e razoavelmente segura.

Há problemas persistentes — e cada vez mais sérios — na maneira como a identidade digital funciona hoje: questões regulatórios em “zonas cinzentas”, risco cibernético, falta de conscientização de usuários, falta de interoperabilidade, fragmentaridade, dentre outros.

Sem um meio eficiente, contudo, de nos identificarmos uns aos outros e às nossas posses, dificilmente poderemos construir grandes nações ou criar mercados globais.

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Tatiana Revoredo | CSO na The Global Strategy.

Membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation. Especialista em blockchain pelo MIT e pela University of Oxford. Especialista em Cyber Risk Mitigation pela Harvard University. Autora do livro Blockchain: Tudo o que Você Precisa Saber e coautora do livro Criptomoedas no Cenário Internacional. 

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